Acredito que todos comecem a escrever dizendo que há tempos não escrevem.
Sempre quando eu começo a escrever, eu fico na duvida em qual tempo ou pessoa escrever.
Presente, passado e futuro se conflitam com meu hoje, com meu agora.
As pessoas em suas formas singulares e plurais se agrupam em meu ser “eu”.
Sempre fui movido a sentimentos, esses sim, tempos, em tempos e há tempos, que me movem.
Questiono-me sobre esses sentimentos, e essa semana me veio demasiadamente todos eles em minha mente.
Sou um ser movido a, por, para sentimentos.
Nesse mundo de extremos em que vivemos que vai do belo à violência, do simples ao complexo, do tecnológico ao rudimentar, da modernidade à simplicidade, nos deixa em questionamentos infindáveis.
Amo meus pais e irmãos incondicionalmente, meus amigos, são minha extensão sentimental e meus amores? Cadê?
Os amores que passaram por minha vida até o momento, ou os que julgo terem sido amores, hoje moram em outras cidades, vivem outros ares, dormem em outras camas e beijam outras bocas.
Que os que sejam meus de verdade, não bandariam desta forma.
Eis as questões, esses amores, amam aos outros? Ainda me amam se é que me amaram?
Amam-se?
Na vida não mandamos em nosso coração, não controlamos o avassalo que nos move ao ver a pessoa, que nos faz tomar banhos mais leves, dormirmos mais felizes, respirar mais fundo ao ver o sol.
Quem dirá decidir, decifrar e definir o coração do outro.
Uma vez um amigo me disse que eu estaria muito firme com relação ao amor, e que um dia aparecerá alguém, um amor. Que me deixaria com mais dentes no sorriso.
Quem não quer amor na vida?
Amar, em sua forma e ser amado, em sua totalidade.
Mas, imaginativo que sou, crio a estória, invento a paixão.
Será carência? Vontade? Química?
Não sei.
Hoje, com olhos e mente bem mais aguçados, avalio e analiso cada gesto, cada atitude, cada comportamento, embora saiba que estou em conjunta avaliação.
Pessoas são diferentes, visões de mundo e outros demais e de menos aspectos, tornam as pessoas predispostas ao conhecer, ao novo e ao diferente.
Mas parece-me que algumas pessoas querem ao outro sim, mas como troféus, amuletos, peças de vitrine.
Estéticas, poderosas e caras.
Todos querem coisas boas ao lado.
Mas não os deixe de saber, que ostentações acabam, mas o humano em sua essência jamais acaba.
Pelo o contrário, evolui, amadurece e se enriquece.
O grande elo e duelo entre o ser e o ter.
Fiz boa analise das pessoas que existem em minha vida e tirei como conclusão que todos me amam pelo o ser.
E se um dia tiver a mais do que tenho hoje, meu ser, amadurecerá gradativamente.
Então me veio uma música de Oswaldo Montenegro à cabeça, A lista.
Reconheço-me sem duvidas no espelho de agora.
Me toma todo pensamento, muda o dia, transforma ideias.
Vejo-me velhinho sentado na varanda de minha casinha branca de janelas azuis à beira mar, sentindo-me feliz, de sempre ter amado, de ter conquistado fielmente as pessoas ao meu redor, de ter desejado bom dia a desconhecidos e de estar cercado pelo que me interessa.
Assim vivo. Amando fico mais amável.
Texto Nilo Vieira. Foto: Sítio São Luiz do Paraitinga.